quinta-feira, 14 de agosto de 2008

Tanto Mar

Tenho vindo a pé para o trabalho todos os dias, desde segunda-feira. Não é promessa, é exercício mesmo. São 45 minutos caminhando, e bem agradáveis. Passo pelo parque Eduardo VII, pelo Jardim da Amália e pelos jardins da Gulbenkian, com direito a banho da rega das plantas. Também faço todo o percurso ouvindo música.


Sabe aquela música que a gente já ouviu algumas vezes, e até já prestou atenção, mas um dia a ouvimos e ela nos invade de uma maneira absurda? Pois, aconteceu com esta música do Chico Buarque. Ouvi. Voltei a ouvi-la. Emocionei-me de ficar com lágrimas nos olhos. Senti orgulho pelos meus amigos portugueses, por ter me tornado português, e por nós, brasileiros, termos esta ligação com Portugal. Afinal, Portugal é um país pequeno e muito corajoso.

A começar pelos descobrimentos. Foram, indubitavelmente, os maiores navegadores da sua época. Depois foram espertos o suficiente para enganar os espanhóis e desviarem um bom bocado a linha do tratado de Tordesilhas, fazendo do Brasil praticamente um continente. Tiveram um terremoto monstruoso e não se abalaram. Decidiram remodelar tudo e começar tudo do zero. Quando Napoleão estava a tornar todos os países da Europa o seu pátio para brincar, a corte portuguesa apanha o primeiro navio e vai tirar umas férias para o Brasil. Sem a corte para se render, e com os portugueses a se defenderem argilosamente, Napoleão não teve chance. Teve que dar meia volta com o rabinho entre as pernas, deixar de ser besta e depois se isolar numa ilha do Atlântico sul. Mais tarde, quando encheram o saco de terem um rei, não se fizeram de rogados. Já que o rei não queria sair, sairam com ele, e à tiros. Coitado, não sobreviveu. E depois quando um ditador começou a fazer das suas também, os portugueses se revoltaram e disseram que quem mandava no país eram eles. E viva a democracia!


E, mais importante, não esquecem de nada disso. E todo o dia 25 de Abril milhares de portugueses vão a rua para comemorar a liberdade que um dia reivindicaram e conseguiram. Foi por isso que me emocionei!

Tanto Mar

Composição: Chico Buarque

Foi bonita a festa, pá
Fiquei contente
Ainda guardo renitente um velho cravo para mim
Já murcharam tua festa, pá
Mas certamente
Esqueceram uma semente nalgum canto de jardim
Sei que há léguas a nos separar
Tanto mar, tanto mar
Sei, também, quanto é preciso, pá
Navegar, navegar
Canta primavera, pá
Cá estou carente
Manda novamente algum cheirinho de alecrim

PS: Vou começar a chamar estes posts de "Momento Sabe"

Um comentário:

Céli disse...

Olha, achei seu post nostálgico.Não que ele seja, de fato, nostálgico, mas acho eu estou nostálgica. Enfim, fui ver suas fotos antigas do site "aos amigos" e fiquei quase feliz - no meio da minha melancolia - de ver que, se eu não fiz grandes conquistas até agora, pelo menos perdi muito peso e isso me motivou a intensificar meus exercícios físicos. Não dava pra colocar umas fotinhos melhores, não? Tenho certeza que você deve ter fotos melhores minhas, se não tiver, eu mando.