sexta-feira, 8 de agosto de 2008

I Want to Believe

Ontem fui ver o filme X-files, I want to believe.

 

Ok, não se assustem. Não irei fazer crítica ao filme e nem estragar as surpresas dele (Mas posso dizer que o filme é bom e não há muitas surpresas). Vou falar sobre a personagem da Gillian Anderson, a Scully. Durante as 9 temporadas que X-files (“Arquivo X” para uns,”Ficheiros Secretos” para outros), Scully foi uma mulher extremamente religiosa. A igreja católica e a religião eram o fundamento das suas crenças, e constantemente embatiam de frente com as crenças sobrenaturais de Mulder. Ela acreditava na igreja, nos seus santos e nas suas leis. E sempre teve um padre ou outro como guia espiritual.

 

Neste filme encontramos uma Scully totalmente dedicada à medicina, num hospital católico. Só que as coisas não correm bem, pois desta vez o embate é entre a medicina e a religião. Scully acredita que pode curar um rapaz de 10 anos que sofre de uma doença grave, enquanto os padres e freiras que dirigem o hospital acreditam que é a vontade de Deus que o rapaz morra e que não há nada que se possa fazer. A situação piora quando Scully conhece um padre vidente, acusado por pedofilia e que está a ajudar o FBI. De uma hora para outra a sua religião é tomada por uma humanidade suja e pecadora, e ela não consegue aceitar este cruzamento. O padre pedófilo crê em Deus e tem fé de ser perdoado por este mesmo Deus. Scully não consegue aceitar que o crime que ele cometeu possa ser perdoado aos olhos de Deus. Scully vê que os representantes da igreja em que ela acredita não estão imunes às tentações, e que utilizam a lei divina como bem lhes convém.

 

Não é fácil para ela enfrentar isso. Aliás, o conflito pelo qual ela passa torna-se, para ela, mais intenso e importante que o crime que o FBI tem de desvendar. Ela quer acreditar em Deus e na igreja católica, tarefa cada vez mais difícil para ela. E  entre lidar com um padre fatalista e cheio de regras, ou em um padre pecador, que deseja ser perdoado e infinitamente mais humano, é a este último que Scully pede ajuda e abrigo. E é este que vai ajudá-la a manter a fé em si mesma para que ela possa curar o rapaz através da medicina.

 

Não gostei do filme em vários pontos, mas goste, e muito, de terem dado esta história ao personagem da Scully.

 

Um comentário:

Céli disse...

É, lendo o que vc escreveu, realmente percebo que a trama da Scully é bem mais interessante. O mulder está empre com a mesma ladainha. Mais do mesmo. Pra que? Acho que isso prova como ela se tornou um personagem muito mais denso dentro da série,é só a gente pensar na trajetória que ela percorreu durante os anos de arquivo x. Não acho que o Mulder tenha feito essa curva; ele ficou sempre numa coisa, "agora eu acredito, agora não acredito mais..". Enfim, isso fica claro no filme.
bjos