
Todos com mais de .... anos já devem ter ouvido falar de um filme, muito, muito estranho, chamado "Encaixotando Helena" (
Boxing Helena). Nunca vi o filme, mas sei sobre o que fala. É sobre a paixão de um homem por uma mulher que, para mantê-la presa a ele, amputa-lhe os braços, as pernas e a encaixota viva para adorá-la. Um horror! Mas como disse, nunca o vi.
Hoje, quando estava a voltar do trabalho a pé e a passar pelo Jardim da Amália, descubro que a exposição de esculturas do
Baltazar Lobo infelizmente chegou ao fim. Foram 4 meses, sendo um de bónus, que eu tive a oportunidade de passar pelas mais de 20 esculturas dele.
Pois bem. Quando piso o jardim, ao invés de ver as esculturas que estavam sempre lá a minha espera, encontrei caixas. Muitas caixas. E dentro delas as esculturas. Minha alma entristeceu. Até posso dizer que
entristeceu muito. Foi momentâneo, mas ao ver as esculturas enclausuradas em caixas de madeira, sem poderem ver-nos, e nós sem podermos vê-las, senti um choque. Despropositadamente pensei sobre a efemeridade da vida, e enquanto não abandonei o jardim, era só nisso que eu pensava.
Iriam as esculturas para o mesmo lugar que iremos quando morrermos? Ou iriam elas para uma outra exposição para serem vistas por outros olhos, em outra época, em outro lugar do planeta, e assim acontece com a gente depois que aqui já não estamos mais? As comparações eram infinitas, e só pararam quando continuei meu caminho. Algumas esculturas ainda não tinham tido o fatídico destino das outras, mas era por pouco tempo. E destas fiz questão de me despedir.
Depois segui o meu caminho e continuei a viver.